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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Quando o interesse público deixa de ser prioridade

 



No cenário atual, cresce a percepção de que determinadas políticas públicas municipais não são formuladas a partir de estudos técnicos ou das reais necessidades da população, mas sim da influência exercida por grupos empresariais com forte proximidade junto ao Poder Executivo.

Em vez de planejamento estratégico e transparência, o que se observa é a prevalência de decisões que parecem atender a interesses privados em prejuízo do interesse coletivo.

Na prática, o roteiro costuma seguir alternativas bastante convenientes para determinados grupos:

📌 No trânsito

  • ❓ Criar um quadro próprio de agentes concursados, com controle público e estabilidade institucional
    ou

  • 💰 Contratar empresas privadas para instalação e operação de radares e câmeras, com contratos milionários e pouca transparência?

💧 No fornecimento de água

  • ❓ Manter o serviço público, sem fins lucrativos, com reinvestimento local
    ou

  • 💰 Privatizar esse serviço essencial, transformando um direito básico em fonte de lucro?

🏥 Na saúde

  • ❓ Distribuir os recursos de forma equilibrada, fortalecendo diversas instituições
    ou

  • 💰 Concentrar a maior parte do orçamento em uma única empresa, sufocando a concorrência e reduzindo a pluralidade de atendimento?

🎤 Na cultura e eventos

  • ❓ Investir prioritariamente em serviços públicos essenciais
    ou

  • 💰 Bancar shows artísticos com valores questionáveis e contratos inflados, enquanto áreas básicas enfrentam carências?

🧹 Na limpeza urbana

  • ❓ Manter estrutura própria, com servidores públicos e controle direto
    ou

  • 💰 Terceirizar o serviço reduzir a fiscalização, ampliando custos para o contribuinte e lucros para o setor privado?

🏢 Na estrutura administrativa

  • ❓ Utilizar prédios públicos já existentes que hoje estão abandonados
    ou

  • 💰 Alugar imóveis pertencentes a empresários com vínculos políticos com o prefeito, gerando despesas permanentes ao erário?


O debate que se impõe não é ideológico. É moral e administrativo. Quando decisões estratégicas passam a refletir interesses restritos de empresários bem posicionados no poder, a população paga a conta: seja em tarifas mais altas, serviços precarizados ou recursos desviados de áreas prioritárias. É a denominada corrupção de prioridades.

O verdadeiro desafio para qualquer município é romper com práticas que confundem gestão pública com balcão de negócios. Transparência, controle social e critérios técnicos precisam voltar ao centro das decisões.

Porque política pública não deve ser instrumento de conveniência e enriquecimento ilícito de políticos e empresários — deve ser compromisso com toda a coletividade.

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