No cenário atual, cresce a percepção de que determinadas políticas públicas municipais não são formuladas a partir de estudos técnicos ou das reais necessidades da população, mas sim da influência exercida por grupos empresariais com forte proximidade junto ao Poder Executivo.
Em vez de planejamento estratégico e transparência, o que se observa é a prevalência de decisões que parecem atender a interesses privados em prejuízo do interesse coletivo.
Na prática, o roteiro costuma seguir alternativas bastante convenientes para determinados grupos:
📌 No trânsito
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❓ Criar um quadro próprio de agentes concursados, com controle público e estabilidade institucional
ou -
💰 Contratar empresas privadas para instalação e operação de radares e câmeras, com contratos milionários e pouca transparência?
💧 No fornecimento de água
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❓ Manter o serviço público, sem fins lucrativos, com reinvestimento local
ou -
💰 Privatizar esse serviço essencial, transformando um direito básico em fonte de lucro?
🏥 Na saúde
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❓ Distribuir os recursos de forma equilibrada, fortalecendo diversas instituições
ou -
💰 Concentrar a maior parte do orçamento em uma única empresa, sufocando a concorrência e reduzindo a pluralidade de atendimento?
🎤 Na cultura e eventos
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❓ Investir prioritariamente em serviços públicos essenciais
ou -
💰 Bancar shows artísticos com valores questionáveis e contratos inflados, enquanto áreas básicas enfrentam carências?
🧹 Na limpeza urbana
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❓ Manter estrutura própria, com servidores públicos e controle direto
ou -
💰 Terceirizar o serviço reduzir a fiscalização, ampliando custos para o contribuinte e lucros para o setor privado?
🏢 Na estrutura administrativa
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❓ Utilizar prédios públicos já existentes que hoje estão abandonados
ou -
💰 Alugar imóveis pertencentes a empresários com vínculos políticos com o prefeito, gerando despesas permanentes ao erário?
O debate que se impõe não é ideológico. É moral e administrativo. Quando decisões estratégicas passam a refletir interesses restritos de empresários bem posicionados no poder, a população paga a conta: seja em tarifas mais altas, serviços precarizados ou recursos desviados de áreas prioritárias. É a denominada corrupção de prioridades.
O verdadeiro desafio para qualquer município é romper com práticas que confundem gestão pública com balcão de negócios. Transparência, controle social e critérios técnicos precisam voltar ao centro das decisões.
Porque política pública não deve ser instrumento de conveniência e enriquecimento ilícito de políticos e empresários — deve ser compromisso com toda a coletividade.
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