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| Foto: Agência Senado. |
De acordo com o site Congresso em Foco, 15 dos 27 titulares da CPI da Petrobras receberam, ao todo, R$ 3,2 milhões de empresas acusadas de participar do esquema de corrupção e cartel que causou prejuízo bilionário à estatal brasileira e a mergulhou na pior crise de sua história. Segundo essa fonte, as doações oficiais sairam dos cofres das empresas Odebrecht, OAS, UTC Engenharia, Engevix e Galvão Engenharia, todas na mira da Operação Lava Jato.
Algumas contribuições foram feitas diretamente aos candidatos, outras por meio de comitês financeiros e diretórios partidários. A menor: R$ 770. A maior: R$ 962,5 mil.
Veja quanto cada parlamentar informou à Justiça Eleitoral ter recebido de empresas sob investigação na Operação Lava Jato:
- Luiz Sérgio (PT-RJ) – relator da CPI
R$ 962.500,00
- Édio Lopes (PMDB-RR)
R$ 680.732,00
- Hugo Motta (PMDB-PB) – presidente da CPI
R$ 454.572,50
- Antonio Imbassahy (PSDB-BA)
R$ 326.875,00
- Cacá Leão (PP-BA)
R$ 321.993,10
- Júlio Delgado (PSB-MG)
R$ 250.000,00
- Paulinho da Força (SD-SP)
R$ 240.925,50
- Onyx Lorenzoni (DEM-RS)
R$ 200.000,00
- Feliz Júnior (PDT-BA)
R$ 22.042,83
- Afonso Florence (PT-BA)
R$ 16.183,25
- Paulo Magalhães (PSD-BA)
R$ 5.498,44
- João Carlos Bacelar (PR-BA)
R$ 4.493,66
- Bruno Covas (PSDB-SP)
R$ 2.711,50
- Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP)
R$ 2.343,75
- Marcelo Squassoni (PRB-SP)
R$ 770
Total R$ 3.289.297,78
Pitaco do blog
Este humilde blogueiro não resiste. Precisa dar um pitaco...
Um dos predicados dos juízes é a imparcialidade. Tanto que, sem um juiz isento, não se pode sequer falar em jurisdição. A atuação de um juiz parcial é caso de nulidade do processo. Bem, a CPI não é órgão do Judiciário. Mas, tem alguns poderes próprios da magistratura, tais como: ouvir indiciados e testemunhas, prender em flagrante, quebrar sigilos bancário, fiscal e telefônico. A questão, então, é saber se é legítimo os parlamentares beneficiários investigarem os seus doadores de campanha. A lógica e o mínimo ético dizem que não.
Mas, não é só isso. O principal argumento de defesa de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, um dos investigados na Lava Jato, é o de que as doações feitas ao partido pelas empreiteiras participantes do esquema foram todas oficiais. Vale dizer: foram informadas à Justiça Eleitoral nas prestações de contas da campanha. Como esses 15 integrantes da CPI consideram que o recebimento da doações oficiais das empresas investigadas são regulares e não lhes retira a imparcialidade, eu posso presumir que eles considerarão também legais as doações oficiais feitas por elas aos partidos e aos políticos envolvidos nesse escabroso esquema de corrupção. Traduzindo: a pizza tá no forno.



