Um Desabafo
Wellington Colenghi*
O mundo do trabalho vem sofrendo significativas metamorfoses nas últimas décadas, tanto no campo técnico, com a informatização, quanto no campo das relações interpessoais. As empresas cujos administradores têm uma visão sistêmica integrada ao empreendedorismo já percebem a algum tempo que o funcionário é o maior bem da empresa.
As atuais práticas de Recursos Humanos tendem a valorizar cada vez mais o trabalhador, premiando e incentivando o talento individual. Em termos de globalização, o que está em voga é a capacidade de inovar. Qualquer organização que preze por resultados satisfatórios cuida de seu trabalhador. Cuidado que não se restringe ao ambiente físico, com implementações de técnicas e tecnologias, mas com atitudes que busquem o trabalhador para o centro do processo.
A relação do indivíduo com o trabalho depende do bem estar físico e psíquico. Este fato não se aplica apenas ao ambiente de trabalho propriamente dito, mas também na ausência de sentido nas normas e regulamentos de uma empresa, que por vezes, leva a uma exposição da imagem do trabalhador. A motivação do indivíduo se dá prioritariamente pelo sentido de pertencimento à organização da qual ele faz parte.
Entretanto, observa-se no serviço público, principalmente na Prefeitura Municipal de Araguari (realidade que conheço de perto), o avesso dessas iniciativas. Não há qualquer tipo de valorização do servidor municipal. Não notamos iniciativas que promovem o bem estar do trabalhador, ou tentativas de inseri-lo como parte da organização municipal.
Certamente há um fosso enorme que separa o público do privado. Principalmente o fator político, que impera na partilha dos cargos, desprezando-se o lado técnico, que sempre fica em último plano. As coligações eleitorais exigem sua fatia no bolo e o conhecimento necessário à execução das tarefas é desconsiderado. A infantilização do tratamento do servidor é uma constante. Menosprezam a capacidade cognitiva do trabalhador de carreira.
Nossos gestores públicos ignoram que o estabelecimento de vínculos é uma via de mão dupla e que envolve cooperação e valorização. O sentido de pertencimento é absorvido a partir das relações estabelecidas, o que, no caso do serviço público, é fundamental à qualidade do serviço prestado à comunidade. Todos os trabalhadores de uma empresa devem ser respeitados como atores responsáveis por todos os processos e pelo reconhecimento interno e externo produzido. Nota-se, pelos fatos analisados até aqui, que os gestores do serviço público municipal encontram-se uma vez mais na contramão do desenvolvimento.
A falta de cuidado com o servidor - principalmente o de carreira - não é uma exclusividade do “Novo Modelo”,. Entretanto, além da falta de valorização e da escassez de benefícios, o governo do PMDB, conseguiu deteriorar ainda mais as relações de trabalho entre organização e servidor. Práticas desrespeitosas e truculentas parecem ser uma constante. Enquanto isso, a proposta de revisão do plano de carreira do servidor, que deveria ser vista pela administração como fator motivacional, encontra-se parada. Dizem até que está parada por “Força Divina”.
Entrementes, a Câmara Municipal não mostra interesse pela situação precária em que se encontra o servidor público. Exceção de um ou dois. Há inclusive quem diga, nos corredores da Câmara, que não recebe mais servidor, pois não agüenta mais o chororô da categoria. Esse quadriênio cujo fim se aproxima pode ser considerado o pior período do Legislativo Municipal. Uma Legislação onde o Povo não foi prioridade.
Enquanto outubro não chega, e nem a “Enchente de São José”, resta ao servidor público aguardar os resultados do próximo pleito eleitoral. Em relação a mudanças, duvido que ocorram, independente do grupo que chegará ao poder. O servidor público é sempre o primeiro a ouvir: “Não podemos fazer nada por vocês, o último prefeito deixou um rombo enorme”. De quatro em quatro anos ouvimos essa frase. Sofremos duas vezes, como cidadãos e como trabalhadores não valorizados. E ainda ouvimos que se não estivermos satisfeitos, nós é que temos de sair.
Entretanto, observa-se no serviço público, principalmente na Prefeitura Municipal de Araguari (realidade que conheço de perto), o avesso dessas iniciativas. Não há qualquer tipo de valorização do servidor municipal. Não notamos iniciativas que promovem o bem estar do trabalhador, ou tentativas de inseri-lo como parte da organização municipal.
Certamente há um fosso enorme que separa o público do privado. Principalmente o fator político, que impera na partilha dos cargos, desprezando-se o lado técnico, que sempre fica em último plano. As coligações eleitorais exigem sua fatia no bolo e o conhecimento necessário à execução das tarefas é desconsiderado. A infantilização do tratamento do servidor é uma constante. Menosprezam a capacidade cognitiva do trabalhador de carreira.
Nossos gestores públicos ignoram que o estabelecimento de vínculos é uma via de mão dupla e que envolve cooperação e valorização. O sentido de pertencimento é absorvido a partir das relações estabelecidas, o que, no caso do serviço público, é fundamental à qualidade do serviço prestado à comunidade. Todos os trabalhadores de uma empresa devem ser respeitados como atores responsáveis por todos os processos e pelo reconhecimento interno e externo produzido. Nota-se, pelos fatos analisados até aqui, que os gestores do serviço público municipal encontram-se uma vez mais na contramão do desenvolvimento.
A falta de cuidado com o servidor - principalmente o de carreira - não é uma exclusividade do “Novo Modelo”,. Entretanto, além da falta de valorização e da escassez de benefícios, o governo do PMDB, conseguiu deteriorar ainda mais as relações de trabalho entre organização e servidor. Práticas desrespeitosas e truculentas parecem ser uma constante. Enquanto isso, a proposta de revisão do plano de carreira do servidor, que deveria ser vista pela administração como fator motivacional, encontra-se parada. Dizem até que está parada por “Força Divina”.
Entrementes, a Câmara Municipal não mostra interesse pela situação precária em que se encontra o servidor público. Exceção de um ou dois. Há inclusive quem diga, nos corredores da Câmara, que não recebe mais servidor, pois não agüenta mais o chororô da categoria. Esse quadriênio cujo fim se aproxima pode ser considerado o pior período do Legislativo Municipal. Uma Legislação onde o Povo não foi prioridade.
Enquanto outubro não chega, e nem a “Enchente de São José”, resta ao servidor público aguardar os resultados do próximo pleito eleitoral. Em relação a mudanças, duvido que ocorram, independente do grupo que chegará ao poder. O servidor público é sempre o primeiro a ouvir: “Não podemos fazer nada por vocês, o último prefeito deixou um rombo enorme”. De quatro em quatro anos ouvimos essa frase. Sofremos duas vezes, como cidadãos e como trabalhadores não valorizados. E ainda ouvimos que se não estivermos satisfeitos, nós é que temos de sair.
* Funcionário público municipal.






