Na metade da década de 80, eu trabalhei em um batalhão do Exército na área de almoxarifado, tesouraria e fiscalização administrativa. Lembro-me bem que, se recebessemos algum puxão de orelhas da Inspetoria de Controle do Exército, pouco importando o motivo, sofreríamos punição disciplinar. Todos, literalmente todos, tinham medo de uma tal "diligência", que era nome dado aos ofícios em que se apontavam alguma falha no nosso trabalho.
Bem, os tempos mudaram. Hoje, os instrumentos de controle aumentaram, mas desgraçadamente aumentou ainda mais a falta de vergonha na cara de muitos administradores e agentes públicos. Hoje, a maioria não tem medo de nada. Possui, isto sim, plena certeza da impunidade e de que todo pecado será perdoado pela leniência de quem deveria cuidar da coisa pública.
Assim, o motivo deste post é demonstrar a minha indignação com alguns agentes públicos da cidade de Araguari. Não são virtuosos, sequer medrosos. Tratam a coisa pública como se fosse particular. Desviam ou aceitam desvios com imensa naturalidade. Pior: mesmo diante das inúmeras denúncias feitas aqui ou em outros meios, agem com a maior desfaçatez. Em vez de negar os fatos fundamentadamente, procuram desqualificar os denunciantes. Fico a imaginar como essas pessoas têm coragem de encarar o olhar de um filho, do cônjuge, dos irmãos num evento religioso... Bons atores, péssimos exemplos. Merecem ganhar o "Oscar do Descaramento".