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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Justiça suspende show com cachê de R$ 550 mil contratado pelo município de Santa Bárbara do Tugúrio-MG



A pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a Justiça deferiu liminar determinando ao município de Santa Bárbara do Tugúrio, no Campo das Vertentes, que suspenda o contrato e deixe de efetuar pagamentos para custeio da apresentação da cantora Joelma, que seria realizada no dia 27 de dezembro, em comemoração ao aniversário da cidade, com custo de R$ 550 mil. A decisão judicial também determina à empresa J Music Editora e Produções Artísticas que não realize o show e devolva valores eventualmente já recebidos.

A liminar foi proferida em Ação Civil Pública proposta pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Barbacena, comarca à qual pertence o município de Santa Bárbara do Tugúrio, que alega que o gasto com o show é desproporcional em relação às despesas do município e que o valor do contrato está acima da média do que foi cobrado em outros shows da mesma artista em outras cidades, o que configuraria superfaturamento.

O município e a empresa já são alvos de uma outra ação que busca o ressarcimento de dano causado aos cofres públicos em razão de superfaturamento apontado em outro show da cantora realizado em 2022. No final de 2024, o município tentou mais uma vez contratar a artista, desta vez no valor de R$ 500 mil, o que foi impedido por decisão judicial.

A 2ª Vara Cível da Comarca de Barbacena arbitrou multa de um milhão de reais em caso de descumprimento da decisão por parte dos réus, sendo extensiva ao chefe do executivo municipal de Santa Bárbara do Tugúrio e aos que realizarem o evento.

Fonte: Portal do MPMG

O Brasil da autoblindagem



O Brasil atravessa um período em que a impunidade deixa de ser exceção e passa a operar como método político-institucional. A recente aprovação, pela Câmara dos Deputados, de projeto que reduz as penas dos condenados pelos crimes golpistas de 8 de janeiro — inclusive com potencial benefício direto ao ex-presidente Jair Bolsonaro — simboliza esse desvio. Ao relativizar penas já fixadas pelo Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, o Legislativo, para beneficiar extremistas de direita, atinge o núcleo do Estado de Direito e contribui para uma perigosa normalização de ataques à democracia, numa espécie de golpe em espiral.

No STF, o caso do Banco Master aprofunda esse cenário. A decisão do ministro Dias Toffoli de avocar para si a competência para julgar os crimes envolvendo a instituição e, em seguida, revogar a prisão do controlador Daniel Vorcaro — apesar de indícios de prejuízos bilionários a pessoas físicas e a entes públicos — reforça a percepção de seletividade penal. O quadro se agrava diante das suspeitas, noticiadas pela imprensa, da existência de certos vínculos, ainda que indiretos, entre o banqueiro e outros ministros do STF, como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, em um tribunal que ainda resiste a adotar um código de ética claro e vinculante.

Ainda no Supremo, chama atenção, a decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes que praticamente inviabilizou a atuação de cidadãos, entidades e parlamentares na provocação do Senado para análise de pedidos de impeachment de ministros da Corte. Ao esvaziar um dos poucos mecanismos de controle político-institucional previstos na Constituição, o STF acaba por reforçar uma lógica de autoblindagem incompatível com o princípio republicano da responsabilidade e da transparência.

Essa lógica se repete no Parlamento. Há cerca de dois meses, a Câmara dos Deputados aprovou a chamada PEC da Blindagem, que dificulta investigações e responsabilizações de parlamentares, ampliando obstáculos às buscas, apreensões e medidas cautelares contra membros do Congresso. Vendida como garantia ao exercício do mandato, a proposta foi amplamente criticada por especialistas por criar privilégios e afastar o princípio da igualdade perante a lei.

No plano estadual, o exemplo da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro é ilustrativo. Ao derrubar os efeitos da prisão provisória de seu presidente, deputado Rodrigo Bacellar, — determinada pelo STF —, a Casa legislativa optou pela autoproteção corporativa, mesmo diante da acusação de que o parlamentar teria avisado o também deputado TH Joias, ligado à facção criminosa Comando Vermelho, sobre a iminente realização de uma operação da Polícia Federal. A mensagem transmitida é inequívoca: quando envolve o poder, a lei pode esperar.

Esses cinco episódios não são fatos isolados. Eles contrastam frontalmente com o discurso político aparentemente dominante no Brasil, que promete mais responsabilização (accountability) e endurecimento das sanções. Enquanto a retórica punitivista parece responder ao sentimento de parcela significativa da sociedade, na prática o que se observa é a manutenção de flexibilizações, privilégios e mecanismos de blindagem reservados às elites políticas, jurídicas e econômicas. O resultado é um sistema severo para os de baixo e complacente para os de cima, no qual a própria ideia de República — entendida como a gestão da coisa pública em benefício do interesse coletivo — vai sendo progressivamente esvaziada. Quando cargos, mandatos e funções estatais passam a operar em favor da autoproteção de grupos e indivíduos, a lei deixa de ser patrimônio comum e a democracia perde seu conteúdo, corroída pela lógica do privilégio e da impunidade.


terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Ministério da Justiça lança site com foragidos mais procurados do país


Lista reúne 216 nomes de criminosos de alta periculosidade

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) lançou nesta segunda-feira (8) o site ‪gov.br/captura‬, que disponibiliza a lista dos 216 foragidos mais procurados do país.

Cada unidade da Federação indicou oito alvos prioritários com base em uma matriz de risco, que avaliou aspectos como gravidade e natureza do crime cometido, vinculação com organizações criminosas, existência de múltiplos mandados de prisão e atuação interestadual.

“A implementação da lista representa um esforço conjunto entre as esferas federal e estadual para aprimorar a segurança pública e combater de forma mais eficaz as organizações criminosas no Brasil", diz o ministério, em nota.

A iniciativa também possibilita o intercâmbio de informações entre os estados e estimula a colaboração direta da população.

Denúncias anônimas podem ser feitas pelos canais 190 e 197.

O site faz parte do Programa Captura, uma ação de articulação nacional voltada à identificação, à localização e à prisão de criminosos considerados de alta periculosidade. O ministério informou que irá instalar uma célula operacional do Programa Captura no estado do Rio de Janeiro.

“A medida responde à constatação de que criminosos de diferentes regiões do Brasil frequentemente se ocultam em áreas do estado fluminense. A nova estrutura permitirá apoio direto às polícias estaduais e maior agilidade na troca de informações para a localização de foragidos”, explica a pasta.
Fonte: Agência Brasil
Esta notícia foi publicada respeitando as políticas de reprodução da Agência Brasil.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Quem fiscaliza os magistrados?

 





Arsenal do crime se moderniza: armas liberadas a civis abastecem organizações criminosas

 Estudo com mais de 255 mil apreensões mostra avanço de pistolas 9 mm, fuzis e armas novas no mercado ilegal


A pesquisa “Arsenal do Crime: Análise do perfil das armas de fogo apreendidas no Sudeste (2018–2023)”, do Instituto Sou da Paz, revela uma mudança profunda e preocupante no perfil das armas usadas pelo crime após a flexibilização do controle de armas iniciada em 2019. O estudo analisou 255.267 armas apreendidas pelas polícias de ES, MG, RJ, SP e pela Polícia Federal e demonstra que o antigo predomínio de revólveres .38, espingardas simples e armas artesanais vem sendo substituído por armas semiautomáticas, mais modernas, potentes e letais, antes restritas às forças de segurança. Para o instituto, essa transformação não é casual, mas consequência direta das alterações normativas que ampliaram o acesso ao mercado legal.

O dado mais simbólico dessa mudança é a explosão do calibre 9x19 mm, liberado para civis no governo Bolsonaro. Sua participação entre todas as armas apreendidas no Sudeste saltou de 7,4% em 2018 para 18,8% em 2023, enquanto, entre as pistolas, o crescimento foi ainda mais acelerado e uniforme entre os estados. Espírito Santo e Rio de Janeiro já registram mais pistolas do que revólveres nas apreensões; em São Paulo e Minas Gerais, a diferença diminui rapidamente. A substituição tem impacto direto na letalidade, já que pistolas permitem maior capacidade de tiros, recarga rápida e o calibre 9 mm tem cerca de 40% mais energia do que o .38 SPL.

O levantamento também aponta o avanço de armas de guerra no crime: entre 2018 e 2023, houve um aumento de 55,8% nas apreensões de fuzis, submetralhadoras e metralhadoras no Sudeste. Os calibres 5.56x45 mm e 7.62x51 mm, também liberados para CACs no período, lideram entre os fuzis apreendidos. Outro indicador grave é a juventude do arsenal ilegal: a idade média das armas caiu em todos os estados, e Minas Gerais registrou um salto dramático nas apreensões de armas com até dois anos de fabricação, que passaram de 83 para 882, sinal típico de desvio intencional de armas recém-adquiridas no mercado legal.

Apesar do diagnóstico robusto, a pesquisa alerta para sérias falhas na produção e transparência dos dados: 30,6% das armas industriais apreendidas não tinham informação de marca, além de negativas de fornecimento de dados por alguns estados. Para o Instituto Sou da Paz, sem registros padronizados e completos o país não conseguirá enfrentar o tráfico de armas de forma eficaz. A entidade defende o fortalecimento de unidades especializadas (DESARME) e a rápida formalização da Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Armas (RENARM) ainda em 2025. A conclusão é clara: a flexibilização armamentista modernizou o arsenal do crime, aumentou seu poder de fogo e elevou os riscos à segurança pública, desmontando o argumento de que mais armas significam mais proteção para a sociedade.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Direito ao próprio corpo: MPF cobra medidas urgentes no SUS de Uberlândia

 Segundo o órgão, omissão do poder público desencoraja exames, atrasa diagnósticos e agrava doenças.

Fachada do Ministério Público Federal em Uberlândia – Créditos: TV Paranaíba

O Ministério Público Federal (MPF) em Uberlândia ajuizou uma ação civil pública para assegurar que mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tenham o direito de escolher profissionais do sexo feminino para a realização de qualquer procedimento de natureza íntima.

De acordo com o MPF, mulheres são submetidas diariamente a consultas e exames íntimos realizados por profissionais homens, muitas vezes sem consentimento ou até mesmo contra a vontade expressa da paciente. Essa prática, segundo o órgão, provoca sofrimento psicológico, constrangimento, angústia, trauma e a sensação de violação corporal.

A ação destaca que a insuficiência de servidoras mulheres nas unidades de saúde, somada à inexistência de fluxos internos, orientações, cartazes informativos e protocolos específicos, tem deixado pacientes desamparadas. Para o MPF, os gestores públicos falham ao não garantir às mulheres o direito fundamental de definir quem realizará seu atendimento.

O documento enfatiza ainda que as mais prejudicadas são mulheres que já vivenciaram violência sexual ou doméstica, as quais dependem de acompanhamento ginecológico contínuo. Nesses casos, o atendimento por profissionais do sexo masculino pode desencadear gatilhos traumáticos, medo, pânico ou até evitar que a paciente procure assistência. Segundo o MPF, essa falta de organização do SUS desencoraja a realização de exames preventivos, retarda diagnósticos de câncer e agrava doenças ginecológicas — configurando, assim, uma forma de violência institucional.

Diante desse cenário, o Ministério Público requer que a União, o Estado de Minas Gerais e o Município de Uberlândia adotem, no prazo de 30 dias, uma série de medidas urgentes, entre elas:

  • assegurar o direito de escolha da paciente;

  • organizar escalas com profissionais mulheres;

  • criar fluxos de encaminhamento quando não houver profissional feminina disponível;

  • proibir atendimentos íntimos forçados por profissionais homens;

  • disponibilizar cartazes com informações claras;

  • iniciar treinamentos sobre atendimento humanizado e com perspectiva de gênero.

O MPF solicita também a instituição de uma política pública permanente para o atendimento de mulheres em procedimentos íntimos, com protocolos definidos, mecanismos de transparência, monitoramento e fiscalização.

Além das medidas estruturais, o órgão pede que União, Estado e Município sejam condenados ao pagamento de dano moral coletivo, fixado em valor mínimo de R$ 5 milhões, devido à violação contínua da dignidade e dos direitos das mulheres.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Prejuízo milionário: fundo de servidores de Uberlândia perde R$ 47 milhões em operação ligada ao Banco Master

Rombo do Banco Master atinge R$ 500 milhões — Uberlândia é o segundo maior prejudicado

Uma investigação conduzida pela Polícia Federal revela um rombo de meio bilhão de reais em fundos de pensão de servidores públicos causado por operações ligadas ao Banco Master, atingindo em cheio diversos municípios brasileiros — entre eles, Uberlândia (MG), que aparece como uma das cidades mais prejudicadas no esquema. As operações, apuradas desde 2020, envolviam investimentos de alto risco e sem lastro real, feitos por meio de empresas conectadas à rede familiar do controlador do banco, Daniel Vorcaro. Documentos obtidos pelo UOL apontam indícios de conflito de interesses e possível fraude estruturada, já que companhias ligadas aos próprios gestores funcionavam como destino dos recursos previdenciários.

Apesar de seu nome constar nos relatórios da PF desde os primeiros desdobramentos, Vorcaro foi poupado de denúncia criminal em 2021 por decisão da desembargadora Maria do Carmo Cardoso, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A magistrada argumentou que o empresário só teria assumido formalmente o comando do banco após a abertura do inquérito. A Polícia Federal, no entanto, sustenta que as empresas utilizadas no esquema já eram administradas pelo grupo familiar antes da transição oficial, indicando possível responsabilidade prévia e participação contínua.

Os dados divulgados dimensionam a amplitude do prejuízo: o maior impacto ocorreu no Igeprevto, do Tocantins, que registrou perdas de R$ 62 milhões. Logo atrás vem justamente Uberlândia, com o fundo Ipremu acumulando um prejuízo de R$ 47 milhões, tornando a cidade vizinha a Araguari o segundo maior alvo do rombo financeiro. Na sequência, aparecem o Jipaprev, de Ji-Paraná (RO), com R$ 45 milhões, além dos fundos de Goiânia (R$ 34 milhões) e Porto Velho (R$ 32 milhões). No total, dezenas de municípios de médio e grande porte tiveram suas previdências afetadas.

A dimensão das perdas representa um golpe severo na previdência pública municipal. Milhares de servidores ativos, aposentados e pensionistas ficam expostos ao risco de fragilidade financeira dos regimes próprios, enquanto cidades — em especial Uberlândia, a apenas 30 quilômetros de Araguari — enfrentarão desafios para recompor seus fundos e preservar o equilíbrio atuarial. O escândalo evidencia a fragilidade da fiscalização, a permissividade excessiva em operações financeiras de alto risco e a urgente necessidade de reforçar a governança sobre recursos previdenciários no país.


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