Em fevereiro, a Prefeitura defendeu radares e câmeras como instrumentos de organização e segurança no trânsito. Um discurso alegadamente técnico, alinhado ao que já existe em cidades como Uberlândia e municípios do interior de Goiás. Até aí, parece coerente.
Mas pouco mais de um mês depois, surge o anúncio do fim da Zona Azul. Sem debate público amplo. Sem estudo de impacto divulgado. Sem explicação clara de como ficará a rotatividade de vagas no centro.
E há um ponto que não pode ser ignorado: se houve, de fato, estudos técnicos para a implantação de novos radares e câmeras, é razoável supor que esses estudos consideraram a existência da Zona Azul no centro da cidade. Ou não? Porque, se consideraram, a mudança repentina revela falta de planejamento. Se não consideraram, o problema é ainda mais grave.
Fica a sensação de que as decisões não conversam entre si. De um lado, mais fiscalização. De outro, o abandono de um instrumento básico de organização urbana. Planejamento exige integração, previsibilidade e transparência — não respostas pontuais à pressão política ou a interesses imediatos.
No fim, a pergunta é simples: qual é o projeto de mobilidade para Araguari? Porque, do jeito que está, parece mais um conjunto de medidas soltas do que uma política pública consistente.
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