Todos os dias, pacientes da cidade de Araguari precisam se deslocar até Uberlândia para realizar o tratamento no Hospital do Câncer, em ônibus disponibilizados pela prefeitura. No entanto, o trajeto é mais um transtorno com o qual eles e seus acompanhantes precisar lidar devido às más condições dos veículos.
A sujeira do ônibus impressiona; bancos rasgados e quebrados, com o banheiro desativado. Não há como ir sem deixar de sentir o incômodo da viagem. Cadeirantes são privados de qualquer tipo de acessibilidade. Os efeitos da radioterapia são diarréia e bexiga solta, e quem passa pela quimioterapia absorve uma grande quantidade de líquido e sente enjôo. A situação é precária. “A pessoa tem de vir passando mal e vomitar por todo o chão do ônibus,” conta a acompanhante de um paciente.
Em condições precárias, pacientes com câncer
viajam à Uberlândia em busca de tratamento
As terças, quintas e sextas, crianças que fazem tratamento na AACD também utilizam o transporte. Além de lotado, o ônibus é antigo, e conforme relatou a acompanhante, frequentemente apresenta defeito mecânico sendo substituído por outro igual ou pior. “Os doentes acham que estão sendo privilegiados com essa ajuda da prefeitura e não reclamam com medo de perder o direito de ir ao tratamento todos os dias. Mas sei que isso não é verdade, temos sim o direito a algo melhor, pois desse jeito eles só irão piorar,” desabafou.
A reportagem da Gazeta do Triângulo entrou em contato com a secretária de Saúde, Iara Borges. Segundo ela, algumas soluções são estudadas para resolver a situação, através da aquisição de ônibus e microônibus ou aluguel de vans. “Tentamos viabilizar, mas temos que lidar com barreiras como dotação orçamentária, terceirização de serviços,” disse.
Conforme explicou Iara Borges, os ônibus da prefeitura são emprestados para a Saúde e utilizados no fim de semana para transporte de esportistas e outros. “Como ele não fica na secretaria e precisa rodar todos os dias, essa questão de limpeza é delicada.”.
De acordo com a assessoria técnica da secretaria, a prefeitura não dispõe de verbas para as aquisições, e por isso várias solicitações na tentativa de conseguir os veículos foram enviadas às esferas federal e estadual, recebidas inclusive pelos deputados Gilmar Machado (PT), Paulo Piau (PMDB) e Eros Biondini (PHS).
Transcrito do jornal Gazeta do Triângulo, edição de 20/08/2011
Pitaco do blog
Fiz questão de postar essa notícia do Gazeta logo após a outra, que fala do aumento dos salários dos vereadores e servidores da Câmara de Vereadores. Comparando as duas, é possível perceber o quanto é inconveniente e inoportuno aumentar os subsídios dos senhores vereadores no mesmo momento em que a saúde pública araguarina agoniza. Na verdade, nossos políticos vivem em outro mundo. Tomara que não sofram de câncer e, se sofrerem, rezo para que tenham um bom plano de saúde ou, como sempre, consigam "furar" alguma fila do SUS.
Sobre os problemas de transporte de pacientes, a reportagem retrata bem a gravidade da situação. Em contacto com a assessoria da Secretaria de Saúde, fui informado de que, a cada semana, surgem, em média, sete casos de câncer em Araguari. Como, em regra, o tratamento desses pacientes é feito na cidade de Uberlândia, torna-se essencial que o município tenha veículos aptos a transportá-los com segurança e conforto até a vizinha cidade.
Corroborando a notícia do jornal, recebi a informação de que diversas tentativas de obtenção dos veículos estão sendo feitas junto a parlamentares da região. Contudo, até o momento essas tratativas não produziram o resultado esperado. Daí, o quadro atual.
É justamente por causa desse tipo de problema que defendemos uma postura mais proativa do senhor prefeito na área da saúde pública. Não se pode mais assistir a fatos tão dramáticos sem esboçar qualquer reação. Publicidade não cura câncer, senhor prefeito. A saúde pública deve ser a principal prioridade entre as agendas de governo. O chefe do Executivo tem o dever de atuar ao lado da Secretaria de Saúde, dotando-a de recursos orçamentários e financeiros suficientes, sanando deficiências estruturais e cobrando resultados efetivos.
A saúde é o bem mais sagrado do ser humano. A falta dela fragiliza a todos, indistintamente. Assim, mesmo sendo descompromissados com o interesse da sociedade, alguns gestores públicos deveriam se lembrar dos ensinamentos cristãos para ajudar os seus irmãos. Se não querem seguir a Constituição Federal, que assegura a todos o direito à saúde, que pelo menos se lembrem da existência de uma Lei Divina, da qual não ninguém escapa.