A coluna de Miguel de Oliveira, Gazeta do Triângulo, 03/12, traz interessantes informações sobre as teias de poder existentes no governo municipal. Mostra, de forma clara, a existência de uma espécie de "eminência parda" no governo Marcão. Alguém mandaria mais que o prefeito no governo, mantendo no cargo o procurador-geral do município e afastando os descontentes. Isso prova que, pouco importando quem sejam os governantes formalmente eleitos, o poder é exercido por alguns grupos, normalmente formados por parasitas dos governos e do dinheiro público.
De certa forma, já abordamos aqui alguns pontos levantados pelo colunista. Por exemplo, já falei sobre as irregularidades existentes na Procuradoria do município diretamente ao prefeito em um programa da Rádio Onda Viva, mas ele, como sempre, fingiu que não ouviu. Entre as irregularidades, torno a repetir, estão a ausência de concurso público para o cargo de procurador e o desvio dos honorários (que deveriam ir para os cofres públicos, mas vão para os bolsos dos espertinhos procuradores).
Bem, vamos às palavras do ex-prefeito Miguel de Oliveira sobre a "eminência parda" do governo Marcão:
"A Administração voltou atrás em promessa de campanha, como no caso da cobrança de honorários sobre execução da Dívida Ativa, cedendo às exigências do Procurador Geral colocadas na presença de todo o secretariado e sem que de nada valessem os protestos em contrário, no ato, do vice- prefeito.
Cedeu outra vez, sob a mesma pressão (ou arruma ou saio) remetendo projeto à Câmara, aumentando o salário do Procurador e pedindo mais advogados. A Câmara cortou os advogados pedidos e deu o aumento solicitado.
Enquanto isto Superintendências importantes e Controladoria não teriam merecido a mesma atenção.
Comenta-se que influências de fora vêm crescendo cada vez mais, a ponto de alguém perguntar: “ - É profissional de notório saber, de alto currículo e insubstituível? Quem o controla?
O Poder Público se tivesse agido com determinação desde a indisciplina ocorrida numa madrugada e às portas do Palácio, que terminou em BO da polícia, poderia ter evitado o “diz-que- disse” que cresce cada vez mais, e o desgaste decorrente, a ponto de se sujeitar a suspeita ( indevida talvez) de estar prisioneiro e dependente.
Os espertos tingem falhas corriqueiras e simples com cores mais fortes, exagerando o tamanho do problema, para semelharem zelosos e indispensáveis guardiões de confidencialidades, gansos do Capitólio. Usam travestir irregularidades de pequena monta e de boa fé que ocorrem em todos os governos, em verdadeiros cavalos de batalha, para se valorizar.
Decisões há que se não tomadas com coragem na primeira hora, criam raízes; o tempo vai tornando difícil erradicar influências, a ponto do subordinado garrotear o superior.
Há ética em jogo. Advogado é como padre; não pode divulgar segredos. Agindo de outra forma... Um perde a batina... O outro o diploma e a clientela...".



