Qua, 09 de Fevereiro de 2011 00:00
Na manhã de ontem, engenheiros da Universidade Federal de Uberlândia, acompanhados das secretárias Thereza Cristina Griep (Desenvolvimento) e Iara Cristina Borges (Saúde) fizeram uma nova vistoria no prédio onde deveria funcionar o Hospital Municipal Nephtali Guimarães Vieira. Repleta de irregularidades, a herança da gestão de Marcos Alvim é atualmente uma das prioridades do governo para a Saúde no município, que atualmente apresenta sérias deficiências.
Como foi dito, a intenção da prefeitura é transferir o Pronto-Socorro Municipal provisoriamente para as instalações do Hospital, para que o antigo prédio situado à praça da Constituição dê lugar a UPA - Unidade de Pronto Atendimento, obra com duração prevista de um ano e orçada em R$ 1.400.000.
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| Engenheiros da UFU observam as irregularidades do hospital municipal |
Num primeiro momento, os técnicos da UFU apontaram informalmente algumas das principais irregularidades nas instalações do prédio. O piso, que é de granitina, de uso proibido em hospitais pela Anvisa, deverá ser substituído; a maioria das portas abre com 80 centímetros, e o correto é, no mínimo 90 centímetros. Todos os portais são feitos de madeira, mais um problema. Será necessário criar um sistema de drenagem para captar a água para que ela não entre no prédio, algo que acontece com freqüência durante as chuvas; o sistema de gazes está comprometido e segundo a secretária, será providenciado pela prefeitura nessa semana.
Além de todos os problemas citados, o hospital municipal não possui entrada de emergência. “O projeto foi mal feito, como um todo. Supondo que alguém seja esfaqueado, ele terá que passar pela sala onde é o atendimento, e não há outra entrada. Não sabemos nem como esse projeto foi liberado. Estamos procurando meios de solucionar isso também,” conta Thereza Griep.
No entanto, é preciso esperar que os engenheiros da UFU terminem o laudo para que os ajustes comecem, pois é através dele que a aprovação da Vigilância Sanitária será obtida. “Nossa intenção é fazer todas as reformas de uma vez, pois muito se gastou ali para arrumar coisas que não tiveram resultado,” completou a detentora da pasta de Desenvolvimento.
A partir de agora, novas vistorias serão realizadas, e os responsáveis pelo laudo virão constantemente para orientar sobre as adequações. A próxima delas deve acontecer ainda nesta semana.
Transcrito do Gazeta do Triângulo.
Pitacos do blog
Muito já se falou sobre o Hospital (HM), mas o assunto parece inesgotável.
As falhas cometidas pelo governo anterior e a "saída" encontrada pelo governo atual nos obrigam a algumas reflexões. Afinal, é essa a função do cidadão metido a "achólogo".
As falhas. Cuidam-se de erros de projeto básico e de execução. Mas podem ser bem mais do que isso. Em certos casos, a utlização de materiais diversos dos previstos no projeto pode representar desvio de recursos públicos. Por exemplo, usam-se materiais de qualidade inferior (mais baratos), mas paga-se por material de qualidade superior previsto nas planinhas de custos (mais caros). Assim, pequenas diferenças em diversos materiais trazem para a construtora um lucro indevido. Isso para não falarmos em diferenças de quantidades de materiais ou no superfaturamento de preços (preços bem mais caros que os de mercado). Bem, o destino desse "lucro" pode ficar com a própria empresa construtora ou ir para as mãos de terceiros. É isso que está sendo apurado nos processos administrativos e judiciais instaurados contra o ex-Prefeito, o ex-Secretário de Obras e a empresa construtora.
Outro ponto que precisa ser abordado é a solução encontrada pelo governo. Utilizar o prédio do HM para abrigar o Pronto Socorro Municipal (PSM) é desperdício de dinheiro. A finalidade do PSM e do HM, por óbvio, são diferentes. Um novo PSM resolveria somente em parte o problema da população. Continuariam as dificuldades, uma vez que o PSM é apenas uma porta de entrada (indevida em alguns casos) para os hospitais privados que atendem pelo SUS. Somente um hospital público diminuiria as filas de internação e de cirurgia, por exemplo. Ainda, reduziria a dependência do município em relação à Santa Casa de Misericórdia, que hoje, perigosamente, comanda a saúde pública na cidade.
Aqui, vale ressaltar a incompetência política do governo anterior e do atual. Ambos não conseguiram encontrar uma solução para colocar o HM em funcionamento. Sem recursos federais e/ou estaduais, dificilmente o município conseguirá gerir um hospital público. Vale frisar, ainda, o erro maior foi do governo Marcos Alvim. Ainda que o prédio estivesse em perfeitas condições, não se poderia construir um hospital sem a mínima garantia de funcionamento futuro. Traduzindo: por ocasião da licitação, o governo já deveria demonstrar a existência de recursos orçamentários suficientes para fazer o hospital funcionar por dois anos. Assim, por exemplo, não se poderia ter iniciado uma obra sem dinheiro suficiente para o pagamento de pessoal, aquisição de equipamentos e insumos necessários ao funcionamento do hospital.
Em suma, começou errado e irá terminar pior. Mais uma solução provisória. Claro, com direito a foguetes e palanque eleitoral fora de época. O HM superfaturado será subutilizado. Eventual melhora no serviço de saúde pública será mínima. Apenas a fila mudará de lugar. Pior: continuaremos nas mãos da iniciativa privada ou dependendo de uma ambulância com destino a Uberlândia. Ainda bem que estão duplicando a rodovia...

