Lamentável, em minha opinião, é a palavra que expressa com precisão a retomada por parte da prefeitura, da construção de estacionamentos nos canteiros das avenidas que contornam a cidade. Além de diminuir a área verde, esse tipo de estacionamento oferece riscos desnecessários para os motoristas. Os estacionamentos existentes foram construídos ao lado da pista de ultrapassagem dessas vias. Sempre o motorista sai “na marcha à ré”, sem condição de segurança e visibilidade do caótico trânsito da cidade. No Manual de Direção Defensiva está explicito que temos que evitar “sair de marcha à ré de garagens ou de pontos de estacionamento.” Na aprovação do Plano Diretor, a construção desses estacionamentos foi proibida e depois os vereadores da legislatura passada votaram pela liberação, para atender ou fazer média com “eleitores” privilegiados, esquecendo-se da segurança de quem trafega pelas avenidas. Uma pena. Aqui se encontram soluções muitas vezes questionadas. É o caso das ruas de pedras, que ganharam pavimentação asfáltica, deixando imexível o velho asfalto das avenidas que circundam a cidade, em péssimo estado de conservação. Sabe-se que o novo estacionamento licitado pela prefeitura irá beneficiar alunos e funcionários de uma entidade privada, no caso a UNIPAC. Não sei a posição dos promotores a respeito do assunto. Eles levaram anos para a retirada das lanchonetes dos espaços públicos. Se formos atender aos motoristas que não encontram vagas para estacionar seus carros, devemos atacar praças como a Manoel Bonito, que está totalmente abandonada e talvez fosse de melhor serventia construir ali um grande estacionamento. Ou mesmo os canteiros da Theodolino. Não é mais aceitável continuarmos com essa política de sacrifício das áreas verdes em favor dos automóveis. A cidade precisa de áreas verdes e não de estacionamentos. Serão gastos mais de R$100 mil nesse novo atentado contra os canteiros de nossas avenidas. Sei que vou desagradar a muitos, principalmente a comunidade da UNIPAC. Em minha opinião é a universidade quem deveria se virar para dar espaços para carros de alunos, professores e funcionários, não o município de Araguari.
Pitaco do blog
Ronaldo César Borges abordou, com bastante acerto a questão. Acrescentar outras informações é temerário. Vou correr o risco.
Mais uma vez, o município faz cortesia com chapéu alheio. Com o dinheiro dos tributos (que serão aumentados), vai construir estacionamento para beneficiar alunos e professores de uma universidade particular. Em vez de canteiros públicos, teremos espaços destinados, em regra, a atender ao interesse privado. Isso beira à improbidade administrativa.
Fico a imaginar o quanto Araguari é um lugar bom para investir. Principalmente se o investidor for amigo do rei. A Prefeitura faz o impossível para cortejar algumas empresas. Com isso, elas não se preocupam em criar algo novo. Aproveitam-se de prédios antigos, pouco importando o impacto que irão causar na vizinhança. Depois, entra o poder público. Ele que não fiscalizou nem organizou a ocupação dos espaços urbanos, tem agora que se virar para arrumar estacionamentos para uma faculdade particular. Ora, o estacionamento próprio é um diferencial de qualquer empresa (vide os shoppings e supermercados), destinado a atrair clientela. Será que nos tornamos sócios (só nos gastos, obviamente) da Unipac?
Além desse aspecto, convém observar o que está ocorrendo em outras cidades. O resultado da desenfreada impermeabilização do solo invade nossas casas pela tela da TV. Verdadeiras catástrofes ocorrem porque o bicho homem não está sabendo cuidar do meio ambiente. Nossos gestores acreditam que toda essa história de planejameto urbanístico e direito ambiental é, na verdade, uma estória da Carochinha. Coisa sem sentido ou efeito prático.
Em Araguari, não é diferente. Asfaltam-se ruas sem a mínima preocupação com a drenagem pluvial. Impermeabilizam-se áreas verdes sem a menor dor na consciência. Por causa disso, já tivemos o rompimento das galerias da Avenida Coronel Teodolino Pereira de Araújo. Qual a próxima ocorrência nessa área?